v.01  n.01  2018
O Paradigma da Potência
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O Paradigma da Potência
Institucional
O Instituto Maria e João Aleixo segue a Construção de uma Universidade Internacional das Periferias

Priscila Rodrigues

Em quase dois anos de atuação, o Instituto já realizou diversas ações com o objetivo de conectar periferias de todo o mundo

O Instituto Maria e João Aleixo completa, em junho, dois anos de existência. O processo de caminhada e construção se exemplifica em seu nome. Já foi João, depois João e Maria e, por fim, Maria e João. Rompendo com a lógica de destaque sempre na figura masculina. Aliás, Maria e João Aleixo são dois personagens centrais de uma história que se inicia, como muitas das trajetórias da Maré, no Nordeste do Brasil.

Constituir um centro de altos estudos sobre as periferias do mundo é um desafio e o primeiro degrau já foi ultrapassado. Neste curto tempo já aconteceram encontros, seminários, cursos, compartilhamentos, vivências, edital de residência e o IMJA se prepara para uma longa caminhada rumo à utopia.

Em março de 2017, o Instituto Maria e João Aleixo realizou seu primeiro Seminário Internacional “O que é periferia, afinal, e qual seu lugar na cidade?”, na Maré, Rio de Janeiro. O evento teve como objetivo central a construção de uma visão convergente – aberta a adesões e contribuições – entre as organizações, movimentos, coletivos e pessoas que dele participaram sobre as periferias e seu lugar no mundo contemporâneo. O resultado desse esforço coletivo é a Carta da Maré. Um manifesto que, ao passo que aponta o que é a periferia, também apresenta os desafios que têm sido enfrentados pelos seus moradores.

Mas será que os desafios de viver na periferia são iguais em qualquer território do mundo? Quais são as aproximações e identificações? E as diferenças? E, acima de tudo, o que nos mobilizam? Essas são algumas perguntas que a primeira turma do Programa de Residência IMJA pode responder. Vindos do México, Colômbia, Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau e também de São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Piauí, os residentes ficaram, durante 5 meses (de agosto até dezembro de 2017), instalados na Maré. Além de compartilhar vivências, o grupo participou da primeira turma do Curso de Especialização “Inventividades Socioculturais das Periferias Urbanas”.

Com uma proposta inovadora, a Especialização busca integrar crítica intelectual, práticas estéticas e construções ético-políticas visando a superação dos estigmas da carência e da violência que marcam as periferias urbanas, assim como a reflexão global sobre a urbanização desigual do espaço em suas condições contemporâneas. Entre os encontros promovidos pelo IMJA, durante a especialização “Inventividades Socioculturais das Periferias Urbanas”, um dos que mais se destacou foi o “Morada e Quilombo” com a presença do líder quilombola Nêgo Bispo. Como parte das discussões sobre “Morada” que, em quatro encontros, retratou territórios periféricos a partir das subjetividades de quem habita – quilombo, indígena e favela – Nêgo Bispo fez um debate potente, leve e agradável sobre a cosmologia quilombola.

E por falar em Encontro… Entre os dias 12 e 15 de outubro de 2017 aconteceu o Encontro Nacional de Comunicação das Periferias. A partir da iniciativa do Movimento por Uma Internacional das Periferias e com suporte institucional do IMJA – Instituto Maria e João Aleixo, o evento ocorreu na sede do Observatório de Favelas, na Maré. O Encontro começou a se desenhar já durante o Seminário Internacional  em que se entendeu o essencial papel dos comunicadores periféricos no fortalecimento da rede que se iniciava. Os próprios participantes é que construíram o Encontro, definindo temáticas e desdobramentos, assim como as possibilidades inventivas que contemplassem os desejos individuais das pessoas presentes. Após quatro dias de compartilhamentos, o grupo produziu a MENSAGEM DO ENCONTRO NACIONAL DE COMUNICAÇÃO DAS PERIFERIAS. Um documento potente que define os temas centrais que nos articulam em ações de Comunicação.

Esforço e trabalho coletivo – características marcantes no IMJA e responsáveis pelas construções realizadas nos últimos dois anos – culminam, desta vez, com o desafiante e propositivo resultado: a Revista PERIFERIAS. Todas as ações, projetos, construções e formulações confluem para o principal objetivo do IMJA: construir, nos próximos anos, atividades centradas em uma Universidade de Periferias, orientada para formação, pesquisa e intervenção em Periferias.


 

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