Editorial

periferias 10 | edição especial

ilustração: Mateus Rodrigues

Formar, organizar e agir | Prosperidade econômica nas periferias | Interface territorializada | Fronteiras | Gaza, a solidariedade do Mediterrâneo, a Favela do Moinho, da Maré, e as oliveiras da Palestina | Educação ambiental | A resistência indígena Munduruku, Wai Wai, Tembé, Arapiun, Tunpinambá, Sateré Mawé e Xikrin

16 de dezembro de 2025

Formar, organizar e agir | Prosperidade econômica nas periferias | Interface territorializada | Fronteiras | Gaza, a solidariedade do Mediterrâneo, a Favela do Moinho, da Maré, e as oliveiras da Palestina | Educação ambiental | A resistência indígena Munduruku, Wai Wai, Tembé, Arapiun, Tunpinambá, Sateré Mawé e Xikrin

 

A revista Periferias foi criada em 2017 como meio principal para a difusão dos conceitos, pesquisas e metodologias trabalhadas pela Universidade Internacional das Periferias, organização da sociedade civil com sede na Favela da Maré, Rio de Janeiro. Ao longo de oito anos, publicamos nove edições digitais, em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e francês), além de duas edições impressas.

A Uniperiferias passou, também, a ter sua própria editora: com 40 publicações em seu catálogo, a editora Periferias agora publica a Periferias 10. Ela reafirma nosso comprometimento com a construção de proposições de futuro a partir de uma agenda política de defesa dos direitos para a garantia  da vida das populações de periferias, com o evidente fortalecimento da democracia a partir dos territórios diversos que compõem as periferias brasileiras. Nessa trajetória, formamos alianças e parcerias estratégicas que nos permitem construir uma rede com organizações da sociedade civil, fundações, movimentos sociais de base, ativistas e pesquisadores — Brasil e mundo afora. 

Vivemos como sociedade um momento de urgência — e insurgência — na identificação de caminhos para a garantia da vida humana, tendo a saúde como indicador, o meio ambiente como arranjo indispensável e, a democracia — como modo de existência. Esses três elementos se articulam de forma decisiva na configuração das potências das periferias urbanas, ainda que reconhecer o que existe já não baste.

A dimensão proposta de potência ultrapassa o dado imediato: ela está nas ações, nos pensamentos e desejos de projetos civilizatórios que reivindicam e orientam direitos, produzindo novas formas de viver. É nesse movimento que as periferias se posicionam — não como receptoras passivas —, mas como agentes construtoras de futuros possíveis, capazes de conduzir  o que pode vir a ser uma sociedade de vida. Ler as periferias como expressões da desigualdade racial e territorial revela efeitos ambientais da segregação urbana.

A ausência deliberada de políticas públicas de saneamento, arborização, mobilidade e contenção de encostas revela que uma ecologia política historicamente estabelecida para periferias faz da  degradação ambiental mais um mecanismo da injustiça social. O racismo ambiental — conceito que denuncia a destinação sistemática dos riscos e danos ecológicos a populações negras, indígenas e empobrecidas — torna-se, portanto, central para compreender tanto o espaço urbano, quanto o espaço rural brasileiro. 

Entretanto, movimentos de periferia têm conquistado a inserção no debate ambiental. Sabemos bem que a agenda climática deve incorporar as dinâmicas de poder e desigualdade que configuram o espaço urbano, rural, quilombola e indígena. Para tanto, reconhecer as periferias como territórios de direitos, é compreender sua centralidade numérica, simbólica, econômica e política na configuração política do Brasil. 

Que a Periferias 10 possa combinar um mosaico vivo de bússolas para análise, criação e mobilização política da sociedade para as periferias, reafirmando-as como lugar de pensamento e prática da vida em um mundo ainda extremamente injusto e insustentável.


 

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