ensaios

periferias 6 | raça, racismo, território e instituições

foto: Corleone Brown

Hierarquias racializadas e fronteiras nebulosas

As complexidades da opressão banal

Mariam Barghouti

| Palestina |

traduzido por Jemima Alves

Não raro, a Questão Palestina surge emaranhada com o elemento israelense. Mesmo na academia, Palestina e Israel são estudados tendo em vista a relação que mantêm entre si. Contudo, quando realmente buscamos uma perspectiva mais precisa sobre racismo estrutural e opressão, devemos admitir que a questão vai muito além da Palestina e dos palestinos. 

"O exílio é tão forte dentro de mim, que eu posso trazê-lo à terra" (Mahmoud Darwish)

Em entrevista, Mahmoud Darwich — designado o poeta nacional da Palestina —, disse: “O exílio é tão forte dentro de mim, que eu posso trazê-lo à terra1“exile is so strong within me, may bring it to the land””. A citação foi dita em seu próprio contexto e Darwish pode tê-la atribuído uma interpretação completamente diferente. Todavia, muitos de nós que temos sido expostos à contínua expropriação e ao persistente descrédito se sentirão, por fim, alienados a tal ponto que mesmo retornando ao lar, ainda, nos sentiremos estrangeiros. Se libertarmos a Palestina para ainda nos sentirmos marginalizados, por que então lutamos? 

Para além de toda poética e racionalização, permanecemos lutando, pois a violência do silêncio se torna tamanha que somos forçados a visionar além. Não é de se estranhar que a reiterada fala de Martin Luther King Jr. “eu tenho um sonho” ainda ecoa entre tantos. Sonhar significa, precisamente, tornar visível, não o sonho, mas porquê nós tínhamos que, antes de mais nada, sonhar.

 

Palestina, identidades étnicas e fronteiras

Lembro-me quando meus pais nos levaram de Ramallah para Atlanta, Geórgia. O sul dos Estados Unidos mergulhado em sua própria história irreconciliável de racismo, preconceito e medo das ameaças. 

Nós tínhamos acabado de arrumar as malas, enquanto a segunda intifada2N.T: Segunda Intifada, ou Intifada Al-Aqsa, denomina um período cujos eventos, iniciados em 2000, manifestaram a revolta do povo palestino contra a administração política e o processo de ocupação israelense na Palestina. (levante) estava irrompendo a todo vapor, na Palestina, no ano de 2003. 

Ao entrar na sala de aula do quinto ano, vi que era predominantemente negra. Havia três meninas brancas, que pareciam ter me considerado como uma delas. Lembro-me de uma garota, Holly, que casualmente me disse “você sabe, nós somos as únicas meninas brancas aqui. É difícil, mas temos que ficar juntas”. Eu nunca tinha ouvido falar em racismo baseado na cor. Eu conhecia o racismo enquanto uma palestina. Entretanto, de alguma maneira vi o contraste entre Holly e o soldado apontando para mim uma arma enquanto eu saía do ônibus escolar, em Ramallah.

Na academia, eu aprendi sobre a incapacidade de uma disciplina em explicar algo que possa ser relativo, o que é tão imaginário quanto tangível, e, na mesma medida, romantismo e uma real e dolorosa luta. Nosso problema em termos de compreensão reside não apenas na ausência de informação, todavia na maneira em que organizamos tal informação. 

Durante o meu mestrado na Universidade de Edimburgo, eu realizei dois cursos diferentes. Um no departamento de Sociologia e outro no de Ciência Política. Como projeto final, eu ousei fazer uso das mesmas fontes para cada um dos tópicos de pesquisa e construir dois argumentos diferentes para cada uma das disciplinas. O mais importante era que cada argumento tinha de ser validado e, sua evidência e contra evidência, sustentadas.

Quando deu certo, em vez de estar impressionada comigo mesma, eu senti certo desdém pela academia. É quase como se, caso eu organize minhas informações de determinada maneira, eu seja capaz de convencer. Eu entendi que acadêmicos são advogados por mérito próprio nos limites de seus próprios acordos. 

Entendi que acadêmicos são advogados por mérito próprio nos limites de seus próprios acordos

Quando dei início à candidatura para o doutorado, nos Estados Unidos, me disseram que, embora não seja dito abertamente, a academia americana não levava a academia britânica a sério. Lembro-me que tudo que respondi no momento foi “tão tipicamente americano”3 “how on brand of America”. O problema do racismo americano é que ele não terminou com o fim da escravatura e da segregação. Ele se metamorfoseou, transformou, mudou. Seus limites foram ampliados um pouco mais, entretanto eles ainda se constituíam limites. 

Em se tratando da academia, é possível que ela tenha projetado suas próprias limitações na realidade. Eu tenho estudado acadêmicos da literatura Pós-Colonial, Teoria Crítica da Raça, Estudos Críticos da Branquitude, entre outros. Grande parte das similaridades dos estudos não está na perspectiva, todavia na conclusão da oposição: visibilidade versus invisibilidade. Não que o racismo seja velado, ele é sempre visível. Nós só permanecemos calados porque nos disseram para o fazermos. O racismo é conhecido mas marginalizado; abordá-lo implica desfazer as raízes e os sistemas profundamente dilaceradores dos quais participamos e pelos quais somos impactados. O racismo e a opressão não são, contudo, invisíveis.

Somos algemados de inúmeras maneiras. Certa feita, num período de 14 horas, em uma detenção policial e militar israelense, a algema que me prendia passou a algema de plástico, que, posteriormente, tornou-se um lenço amarrado nos meus pulsos e finalmente correntes que alcançavam os meus pés. Eu estive de mãos atadas o tempo todo, e as algemas comuns não são melhores que a abraçadeira plástica. As algemas, entretanto, não me fizeram sangrar como a abraçadeira plástica. O problema com o racismo é o mesmo, o que é óbvio. O soldado que usou as algemas de metal não era melhor do que o policial que escolheu a abraçadeira de plástico. 

O que temos considerado nos sistemas racistas são os meios pelos quais fazemos reparações e distorcemos palavras e imagens para justificar sua violência racializada

Em todos os casos, eu estava muito apavorada para desafiar meu grilhão, e cada um daqueles soldados e oficiais da polícia sabia que me tinha sob controle. É perceptível a olho nu. O que temos considerado nos sistemas racistas são os meios pelos quais fazemos reparações e distorcemos palavras e imagens para justificar sua violência racializada. Talvez, esta seria a razão pela qual, às vezes, confundimos racismo com ideologia, em vez de ação. 

Não faz muito tempo que víamos americanos acorrentando homens e mulheres negros em gaiolas, como no espetáculo dos zoológicos humanos4 Ver https://www.rifemagazine.co.uk/2019/04/black-people-on-display-the-forgotten-history-of-human-zoos/. Isto é, pessoas calmamente assistindo outras pessoas em gaiolas e, admitissem para si mesmas ou não, acredito firmemente que nem todas elas achavam isto apropriado. O problema de ser apropriado, é que, algumas vezes, é o inapropriado que nos permite refletir juntos. Para confundir os limites, não para mantê-los confundidos. Não para mistificar, contudo para dar a oportunidade de compreensão.

 

Forjando identidades contra outras 

Mahmoud Darwich tem muitos poemas famosos. O que nos ensinam durante a escola primária é “Registre, eu sou um árabe”5 “Record, I am an arab”. A identidade de grupos e indivíduos é uma das facetas do conflito étnico-político. Trata-se da interação de uma multidimensionalidade complexa e interligada6Malesovic, 2004: 116. Martin Luther King Jr. tinha o sonho7 “I have a dream” de realizar uma mudança, todavia sua perspectiva de mudança desafiava o conforto dos beneficiários dos privilégios da desigualdade ou tinham o suficiente para não querer arriscar qualquer perda. 

O racismo convence as pessoas tanto de sua inferioridade como de sua supremacia em relação aos outros, de modo que desafiar o racismo é plantar dúvida nesta convicção

Entretanto, o racismo convence as pessoas tanto de sua inferioridade como de sua supremacia em relação aos outros, de modo que desafiar o racismo é plantar dúvida nesta convicção. Holly foi persuadida por certa convicção racializada contra americanos negros.Mesmo sendo uma criança, ela foi ensinada não só temer, mas também agir diante deste temor; a estar na ofensiva, a permanecer preocupada com o coletivo. 

Após a assinatura do Pacto de Olso, em 1993, a poesia de Mahmoud Darwich tornou-se mais direcionada a reflexões pessoais. Alguns estudiosos sugeriram que este seria um sinal de desencanto com a realidade política palestina8Helit Yeshurun. “‘Exile Is So Strong Within Me, I May Bring It to the Land’ A Landmark 1996 Interview with Mahmoud Darwish.” Journal of Palestine Studies, vol. 42, no. 1, 2012, pp. 46–70. JSTOR, www.jstor.org/stable/10.1525/jps.2012.xlii.1.46

Inclusão e alienação não são distintas uma da outra, e não são distinguidas por um conjunto de sintomas ou critérios. Eu falo em sintomas porque racismo é uma condição. É uma realidade tanto quanto um condicionamento, aprendizagem, internalização. Se analisarmos as práticas do Estado de Israel contra Mizrahim9 Mizrahim são os judeus orientais, originários do Oriente Médio, que viveram entre as comunidades muçulmanas., podemos perceber como, de maneira simultânea, a inclusão ("we-hood", nós), por meio de sua apresentação como parte do coletivo judaico, e a exclusão ("us-hood", eles), através de práticas segregacionistas e políticas discriminatórias, tomam forma contra eles enquanto árabes e africanos.

Ao tentar inclui-los no "we-hood" contra a ameaça palestina, nós percebemos esforços de "complementarization" (complementaridade), o que, como definido por Eidham101971, seria um processo de manutenção da coesão interna. Nós distinguimos diferentes partes de nossa identidade e as priorizamos de acordo com os poderes que adquirimos. 

As práticas israelenses contra os palestinos vão além das ordens de demolição ou a detenção militar tanto de crianças como de adultos

As práticas israelenses contra os palestinos vão além das ordens de demolição11ttps://www.btselem.org/topic/punitive_demolitions ou a detenção militar tanto de crianças como de adultos12https://resourcecentre.savethechildren.net/library/defenceless-impact-israeli-military-detention-palestinian-children hildren. É um processo de racialização de nossas identidades em segmentos. Palestinos com cidadania israelense são marginalizados não pela sociedade israelense, mas por outros palestinos e árabes. Palestinos com cidadania israelense não são apenas segunda classe entre os cidadãos de Israel, todavia cidadãos de primeira classe se colocados em contraposição aos palestinos da sitiada Gaza. O racismo categoriza a alteridade considerando o papel a que se pode servir.

É um processo de racialização de nossas identidades em segmentos 

Os Mizrahim serviam como força de trabalho judaica, contudo, quando os levantes dos anos 1950 aconteceram em Wadi Al-Salib, no distrito de Haifa, eles tiveram de enfrentar a força bruta da polícia israelense13 1959 — Wadi Salib Riots: Culminating a Decade of Ethnic Discrimination.” Mo(Ve)Ments of Resistance: Politics, Economy and Society in Israel/Palestine 1931-2013, by Lev Luis Grinberg, Academic Studies Press, Boston, 2014, pp. 90–121. JSTOR, www.jstor.org/stable/j.ctt21h4xqw.9. É racismo kosher14 Kosher é o termo da língua hebraica que caracteriza algo que está em concordância com os princípios da lei judaica. Assim como a Autoridade Palestina precisa de Gaza para se beneficiar com a questão dos refugiados, quando protestamos contra sua complacência no cerco aos palestinos de Gaza, tivemos de enfrentar a violência brutal do levante da polícia e da guarda nacional15See https://www.aljazeera.com/opinions/2018/6/16/why-is-the-palestinian-authority-attacking-palestinian-protests. É racismo Halal16 Halal é o termo da língua árabe que caracteriza algo que está em concordância com os princípios da lei islâmica.. Afinal de contas, como você poderia ser racista com os seus? Ainda, uma mãe não poderia ser abusiva com seu próprio filho, certo? 

Em 1950, Israel decretou o serviço militar compulsório para os palestinos drusos. Eles tentaram fazer o mesmo com a comunidade de palestinos cristãos, em 201217Melhem, https://www.al-monitor.com/originals/2015/04/israel-conscription-army-palestinian-christians-druze.html. O racismo encontra espaço entre os grupos para produzir variantes de si mesmo. Eu ainda estou desaprendendo o herdado sentimento de traição que tenho pela comunidade drusa que permitiu que isto continuasse. A única maneira de começar a desaprender foi dando ouvidos aos grupos mais jovens de hoje que se mobilizam contra a conscrição drusa no serviço militar. O slogan era “Recuse: seu povo te protegerá”18“Refuse: Your people will protect you.”

O que ocorre na Palestina é o fato de o racismo ser só um aspecto do grande projeto de colonização. Não se trata apenas do conflito interno de um grupo.

Paz é a ausência de conflito

Paz é a ausência de conflito. Talvez seja por isso que Darwish tenha se desiludido, pois não se trata de um conflito. Portanto, como poderíamos falar de "paz"? Paz, honestamente, não é um processo tanto quanto é um momento, um evento. Aprendi, na Palestina, que a paz existe apenas em duas conjunturas. A primeira, antes de irromper a guerra. A segunda, quando cuidamos dos nossos danos (sejam eles materiais, físicos, emocionais, conscientes e inconscientes). Acredito que seja nossa necessidade por paz e calma que nos impede de dar nome às nossas ações. 

Aprendi, na Palestina, que a paz existe apenas em duas conjunturas. A primeira, antes de irromper a guerra. A segunda, quando cuidamos dos nossos danos

O fato de denominar racismo israelense é o que me impulsiona a também denominar racismo americano e autoritarismo na Síria, no Bahrein, na Guatemala, na Venezuela, no Iêmen e na Arábia Saudita. A parte mais difícil é denominar as autoridades palestinas, por tiranos que são. Veja, eu cresci rodeada de diplomatas palestinos. Eles eram tios e tias que me ofereciam doces, sorriam ternamente e me bajulavam quando era criança. Depois de crescida, eu tive que admitir que só porque pessoas poderosas eram boas comigo, com a minha família e entes queridos não significava que suas ações para com a comunidade eram as mesmas. 

Esta é a parte mais difícil em se desafiar o racismo e delimitar as fronteiras entre você mesmo e os outros. É por isso que, enquanto palestinos, falamos não sobre Israel ou israelenses, todavia sobre suas ações. Não estamos tentando provar a nós mesmos em relação a Israel. Este não é um julgamento sobre quem merece mais a terra. Este é um julgamento sobre violência sistêmica (seja ela velada ou declarada).

 

A questão do racismo é que ele é bom em dividir

De início, eu tentei esboçar diferentes experiências, pois falar de discriminação israelense contra palestinos é relacional. É necessário que, primeiro, falemos sobre o que é "israelense". Eu posso falar das atuais medidas de apartheid israelense contra palestinos, no entanto, se há alguma coisa que eu tenha aprendido sobre racismo, tanto na academia como em experiências pessoais, é que ele existe para preservar certo poder. Isto é, ele está atrelado a direitos de cidadania, acesso à moradia, à comunidade, a fatores socioeconômicos, territoriais e conforto. O racismo é mantido pelo conforto. Ele varia de acordo com o contexto, a depender dos modos e linguagens nos quais se manifesta, e, frequentemente, parece aleatório e distinto, isso pois o que muda são os soldados. 

O racismo varia de acordo com o contexto, a depender dos modos e linguagens nos quais se manifesta, e, frequentemente, parece aleatório e distinto, isso pois o que muda são os soldados

O tipo de algemas que foi utilizado em mim variou de acordo com a patente e posição, se militar ou policial. O comando geral para algemar detidos palestinos (fossem jovens ou idosos) estava lá. A maneira como ele é executado varia a depender se, no momento, eu tinha sido detida na delegacia de Binyamin, próximo à Jerusalém, ou no Tribunal Militar de Ofer, próximo a Ramallah. É em razão disto também que hesitei em apresentar e nomear diferentes episódios de violência contra palestinos. Pois, para nós, cruzar os postos militares de controle não se trata apenas de um episódio isolado; trata-se de um momento do nosso dia. Às vezes mais de um.

É por isso também que hesito ao falar sobre a Nakba comemorada pelos palestinos, todos os anos, em 15 de maio, marcando a massiva expulsão de palestinos em 1948. Por que falar do passado quando o presente é violento, opressivo e exige ação? O racismo depende do fato de ser responsabilizado por seu passado, mas contanto que esteja no passado, está tudo bem.

 

Dei início a este ensaio sugerindo que o racismo transcende a Palestina ou os palestinos. Transitei por entre Mahmoud Darwich e Martin Luther King Jr. Tratei a respeito de lideranças e momentos da minha experiência pessoal no sul dos Estados Unidos, desde conversas de sala de aula a saudações de ponto de ônibus. Falei a respeito da academia e sobre um momento de repressão física. Apresentei brevemente esses momentos na tentativa de alinhavar esses pontos um ao outro e tecer um argumento. Eu poderia defender que essas narrativas estão alinhavadas tanto quanto poderia defender que são peças distintas. 

Compreender como o racismo opera é, em certa medida, como compreender um jogo de xadrez. Você pode encontrar padrões no xadrez, certos movimentos consecutivos que levam à vitória. No que diz respeito a como o racismo opera, ele não pode operar sem as peças do xadrez. O racismo não é o jogo de xadrez, mas, sim, aqueles que estão jogando. Em lugar de peças individuais, são comunidades inteiras sendo movidas em diferentes direções – literalmente movidas, tal qual o jogador de xadrez que escolhe dentre suas peças qual mover. Geralmente, é necessário também mais do que um jogador. 

Eu recorri a diferentes exemplos na tentativa de definir o contexto palestino em relação ao racismo israelense, pois antagonismos étnico-políticos são estabelecidos em um estado perpétuo de relações que se evidenciam através do processo de coincidência. Certa feita, considerei a ideia de que ao ser dado a todos os palestinos a cidadania israelense, então, seríamos todos Israel. Todavia o que afasta a mim e aos outros desta ideia não se trata de jingoísmo ou patriotismo, é que ser israelense não se trata de mera denominação. É uma identidade. 

O problema com a colonização, o racismo e a opressão não é a identidade em si. A identidade muda tão rápido como nos transformamos enquanto seres. O problema é que o racismo coloca uma identidade contra a outra. É a imposição de uma verdade que é construída para que ao ser imposta aceitemos nossas derrotas. O racismo espera que homens, mulheres, meninos e meninas escravizados vistam seus grilhões e sorriam para os visitantes do zoológico. O racismo não consegue aceitar diferenças que vão além de se conformar em termos de compartilhar o mesmo planeta. Ele encara a diferença como uma ameaça. Não celebra a identidade tanto quanto enfatiza sua grandeza através da intimidação. O racismo não é um pensamento, e não é distinção. Trata-se da maneira que priorizamos o acesso. 

Isto é racismo na Palestina. Não é a negação dos palestinos por Israel. É a ênfase do palestino como criminoso.


 

Mariam Barghouti | Palestina |

É escritora e pesquisadora. Bacharel pela Universidade de Birzeit em Literatura Inglesa com foco em sociolinguística, e mestre em Sociologia pela Universidade de Edimburgo em Mudança Global, com foco em herarquias racializadas. Sua pesquisa acadêmica engloba sociologia histórica racializada intra-israelense. Trabalhou nos campos do jornalismo e comunicação, produção digital, advocacy, pesquisa com evidências e análise de dados. Escreveu sobre desdobramentos no Oriente Médio com enfoque no Levante. Sua análise política foi veiculada na Al-Jazeera English, the New York Times, The Guardian, entre outros. Sua pesquisa sociológica envolve dinâmicas sociais locais-globais, com foco em políticas, gênero, desigualdades socioecônomicas, e relações de poder. Vive em Ramallah.

@MariamBarghout

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