Ensaios Fotográficos

periferias 5 | saúde pública, ambiental e democrática

foto: Igor Freitas

Aproximações sensíveis do distanciamento social em favelas

Imagens do Povo | Observatório de Favelas

Bira Carvalho | Brenda Maria | Natalia Perdomo | Igor Freitas | Renato Errejota

| Brasil |

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É trágica a situação que vivemos em todo o mundo decorrente da  pandemia e da inescrupulosidade e perversidade de supostos governantes. 

Que o diga o Brasil, pois, assim como em outros países, o coronavírus continua ceifando vidas em sua progressão acelerada de contaminação, favorecida pela política genocida que exerce seu governo federal, sempre indiferente e a cada vez mais vil contra favelas, quilombos, aldeias e as populações que habitam esses territórios.

Se as atividades  essenciais para a cidade são realizadas por pessoas residentes em favelas e periferias – da limpeza urbana ao transporte público; das entregas de alimentos e bens ao atendimento em supermercados; das farmácias aos hospitais e tantas outras – são esses os trabalhadores e as trabalhadoras que fazem a cidade existir no seu cotidiano e, com efeito e  como é sabido, as pessoas mais expostas ao contágio da Covid-19. 


É evidente que Ficar em casa como medida de proteção ao contágio e como forma de evitar a exaustão de atendimentos hospitalares especializados simplesmente não é algo possível para todos, sobretudo para os moradores de territórios populares. 

Afinal, se para tantas pessoas abrir mão de trabalhar é algo irrealizável, aos que ficam, qual seria o sentido de ficar em casa quando a própria rua e sua dinâmica de sociabilidade é extensão inalienável do sentido de  moradia de favelas e periferias?


Fique dentro de casa para territórios  populares é, sempre que possível, um ato que certamente exige muita amorosidade, solidariedade e generosidade para cuidar e proteger a família, amigos e vizinhos e o próprio território periférico, cujos laços de reciprocidade foram sempre historicamente tão presentes.

A luta antirracista, em que se considere as genocidas políticas contra o povo negro que habita favelas e periferias Brasil afora – há muito combatidas pelos movimentos negros –  apenas reafirmam a urgência de combater  o racismo estrutural –  crise de saúde pública mundial muito anterior à própria atual pandemia.


Este ensaio, organizado por Bira Carvalho, fotógrafo carioca e Mareense, reúne as fotógrafas Brenda Maria, Natalia Perdomo, Igor Freitas, Renato Errejota. 

Nossas fotografias mostram que o distanciamento, embora árduo como posso ser, precisa ser  feito de aproximações.


 

Bira Carvalho | Brasil |

Bira Carvalho é Coordenador do projeto Imagens do Povo – Observatório de Favelas.

birafotos@gmail.com

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